Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
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A MANIPULAÇÃO DAS COTAS RACIAIS PELO GOVERNO EM CONLUIO COM A IMPRENSA BURGUESA!

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A reportagem de Rafael Moraes Moura, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 17-10-2012, a mim enviada pela lista Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , do MST, motivou-me a essa contestação.
 
Se 1,8%, 2% e 2,2% de negros frequentando a universidade em 1997 e 2002, eram insignificante, os percentuais de 8,8% e 11% de 2011, continuam ridículos, denunciando toda a falácia do governo e dos institutos parias, de crescimento da participação social dos negros.
 
Tomados em separado (não em relação aos brancos), torna-se uma amostragem falsa, compara números pequenos, dentro de uma mesma comunidade, omitindo e não denunciando as diferenças que o racismo da sociedade brasileira e do sistema educacional impõem, no trato da população negra, diferente do registrado com a branca.
 
Os números assim apresentados, provoca ufanismos governamentais e de seus apoiadores, para os quais a menor mudança é motivo de foguetório, uma grande vitória. Subsidia também os contrario a essas conquistas, fornecendo argumentos para que combatam de forma hipócrita, dizendo tratar-se de racismo as avessas e paternalismo para com os negros.
 
Uma archa começa com o primeiro passo, dizia Mao T. Tung, não desmerecendo nem querendo desqualificar esses "avanços". Entretanto, o RACISMO INSTITUCIONAL cria tantos problemas, discrimina, ameaça, expulsa e mata quilombolas, dificultando a conquista de seus direitos constitucionais de titulação dos seus territórios; Persegue, mantém na pobreza, violentam e matam a juventude negra, onde os números de 380.000 jovens negros de 14 a 25 anos, em total de 512.000 de homicídios, entre 2019 e 2011, em 12, anos, conforme o Mapa da Violência, equivale pra nós e pro mundo inteiro, UMA GUERRA NÃO DECLARADA DE PROJETO DE GENOCÍDIO DA POPULAÇÃO NEGRA. Assim é difícil acreditar na boa vontade do governo e das elites.
 
Quaisquer números ufanistas apontando grandes conquistas, como os apresentados pelo jornalista do estadão, estão em principio, sob suspeita. Tem mais importância para quem escreveu e seus patrocinadores políticos. Informadas pelo articulista, as cifras de 12,5% das vagas para cotas sociais, propostas pelo Aluízio Mercadante, escondem manipulações e se constituem em retrocesso. Se comparado aos percentuais anteriores, reduz drasticamente os reivindicados pelo Movimento Negro, e deveriam ser compatíveis com proporção da população negra em cada estado, sobre o total de vagas existentes.
 
Os Conselhos Universitários das universidades federais, na pior das hipóteses, com todo o conservadorismo, vinham destinando 50% das vagas para os alunos provenientes do ensino publico, e sobre este, o equivalente ao percentual da população negra local. Em 100 vagas, 50 eram geral; outras 50 destinadas aos alunos da escola publica, subtraindo dai as 12 vagas referentes cotas raciais, se 12%, os negros, em algum estado. Seriam 50 vagas para concorrência geral, 38 para estudantes das escola publicas e 12 cotas raciais, que aumentariam de acordo com uma maior proporção dos negros no estado.
 
Os atuais critérios de D. Dilma, inova, sub-representando a população negra, reduzindo a 12,5% o total as vagas sociais (antes 50%), atrasando 04 anos a ampliação dessas vagas, para os antes 50% do total. Dividindo esses 12,5%, em metade para oriundos da escola publica em geral, a outra metade, para as cotas raciais. Re-dividindo, esta ultima, em mais duas bandas iguais, metade para negros com renda de até 01 salário mínimo, e outra para os com renda superior a isso.
 
Ou seja, a cada 100 vagas, 88 serão destinadas aos alunos de classe média branca, bem preparados por cursinhos e escolas particulares caras e publicas de boa qualidade. Somente 12 são destinadas à cotas para a escola publica. Dessas 06 são exclusivamente para estudantes oriundos da escola publica, e outras 6 para estudantes negros e indígenas, candidatos as vagas destinadas as cotas raciais. Sendo que 03, destas para negros com renda até um salário mínimo, e outras três para rendas superiores a isto.
 
Essa parafernália de critérios, com logica difícil de compreender, sob o argumento de que é preciso dar tempo para as escolas se ajustarem, provocou um retrocesso abusivo impensável no MN-Movimento Negro, geral. Mesmo os mais entusiasmados, que fizeram um carnaval para a aprovação da constitucionalidade das cotas no STF, como se fosse a obrigatoriedade de implementação em todas as universidades, estão agora calados, mudos e constrangidos, (a maioria dos governistas temem prejudicar seus partidos e candidatos), restando aos de "fora", fazendo o proselitismo da generosidade do governo, dizer o que é bom para os negros, .
 
Na verdade, trata-se de dissimulação hipócrita, em favor das classes médias e burguesas branca. Repetem: "Vejam como eles foram contemplados, subiram de 2 para 12/100, em 09 anos! DENTRE ELES MESMOS!" "Não precisam de mais nada!", "Cumprimos com nossa parte!" Querem acreditar que não sabemos contar, multiplicar, dividir, calcular percentual, que somos todos idiotas.
 
Em outras palavras, tínhamos mais de 12/100 do total de vagas, depois de aprovada a constitucionalidade das cotas raciais no STF, o projeto de Dilma/Mercadante garantiu 88% de cotas para a burguesia e as classes médias brancas, pelos próximos 04 anos, aliás, como sempre foi, e passamos a ser contados e cotados a partir de um referencial mínimo de nós mesmos.
 
Mais de 500 anos de manipulação e dissimulação das classes dominantes e médias brancas, nos responsabilizando pela situação de nosso povo, embolsando a nossa parte.
 
O racismo e os racistas nos impõem 11, 12% de universitários, entre os negros, nos impedindo que tenhamos os mesmos 47% dos brancos, entre eles, que continuarão garantidos e ampliados pela proposta atual de Mercadante. Continuaremos ser 2, 3% da população geral com acesso a universidade.
 
Vivos, continuamos com um olho no peixe e o outro no gato. Reginaldo Bispo - Coordenador Nacional de Organização do Movimento Negro Unificado - Fração MNU de Lutas, Autônomo e Independente.

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